Meu corpo foi espelho para ser mal interpretado
Meu corpo carregou hachuras de preconceito
Meu corpo foi o peso do martelar de julgamentos
Mas apesar de tudo, hoje...
Meu corpo não é apenas um corpo
Meu corpo é o borboletar da minha imaginação
Meu corpo é sentimento, a tela das cores da minha personalidade
Pois hoje, meu corpo é a pá que enterrou ressentimentos
Olá, meu nome é Bruna, sou professora e amante de Arte, essa com letra maiúscula e bonita de se admirar com todas as suas linguagens.
segunda-feira, 11 de maio de 2020
sábado, 1 de fevereiro de 2020
Meu luto
O meu luto era um céu ensolarado visto por uma janela azul que
quase nunca se abria
O meu luto era um gato preto engraçado brincando com outro gato branco manhoso
O meu luto tinha gosto de amêndoas do croissant rindo da fidalguia que não existia
O meu luto tinha também o gosto quadriculado do bolo xadrez e da fofura do Lollo
O meu luto tinha cheiro da maresia do meio da noite da orla de Olinda
O meu luto era um gato preto engraçado brincando com outro gato branco manhoso
O meu luto tinha gosto de amêndoas do croissant rindo da fidalguia que não existia
O meu luto tinha também o gosto quadriculado do bolo xadrez e da fofura do Lollo
O meu luto tinha cheiro da maresia do meio da noite da orla de Olinda
O meu luto tinha jeito de menino com uns olhos de brilho amavelmente castanhos
O meu luto tinha os cabelos caoticamente encaracolados e uma barba sempre por fazer
O meu luto tinha a preguiça de acordar cedo para aproveitar o café da manhã
O meu luto era alegre e ria com um gosto que me fazia rir junto
O meu luto foi companheiro, foi piadista, mas também o melhor dos amantes
O meu luto me acalentava parcimoniamente, mas também lambia
os seios com paixão
O meu luto me enveuzava com beijos, com cheiros, com cosquinhas, uma delícia
O meu luto me metia e quase não se segurava, me fazia as pernas desequilibrarem
O meu luto gostava de me ver nua e eu notava pelas sinuosidade, sempre ascendente
O meu luto nasceu sob o céu em escorpião, eu idem: feitos no signo da luta, cada um ao seu modo.
O meu luto me enveuzava com beijos, com cheiros, com cosquinhas, uma delícia
O meu luto me metia e quase não se segurava, me fazia as pernas desequilibrarem
O meu luto gostava de me ver nua e eu notava pelas sinuosidade, sempre ascendente
O meu luto nasceu sob o céu em escorpião, eu idem: feitos no signo da luta, cada um ao seu modo.
Mas sobretudo:
O meu luto me amou e eu amo o seu cheiro de sol, as ondas da sua morenice
O meu luto sofreu pelos milhas de distância, mas ainda me amou
O meu luto, eu o amo pelo jeito maroto de criança, amo o amigo, o filho, o pai e o amante
O meu luto é um carnaval antigo, sou a única passista do baile, a única participante
Desse luto que aguarda o fim da tristeza na próxima quarta-feira de cinzas
O meu luto sofreu pelos milhas de distância, mas ainda me amou
O meu luto, eu o amo pelo jeito maroto de criança, amo o amigo, o filho, o pai e o amante
O meu luto é um carnaval antigo, sou a única passista do baile, a única participante
Desse luto que aguarda o fim da tristeza na próxima quarta-feira de cinzas
sábado, 4 de janeiro de 2020
Se eu fosse um bicho...
Se eu fosse um bicho,
A hibridez de espécie me caracterizaria
Uma puma celestial,
Uma ave de rapina com pernas
Para correr pelas veredas de asfalto e sobrevoar pelos seus sonhos mais altos
A hibridez de espécie me caracterizaria
Uma puma celestial,
Uma ave de rapina com pernas
Para correr pelas veredas de asfalto e sobrevoar pelos seus sonhos mais altos
domingo, 29 de dezembro de 2019
QNE 18 casa 18 (Crônica)
A casa da minha infância tinha
cheiro. Tinha, porque o cheiro pertencia a casa. De manhã cedo, cheiro de
pinha, lá havia uma ateira bem alta que soltava folhas grandes e perfumadas.
Debaixo desse pé de pinha – o meu balanço de ferro, um acalento para as palmadas
que eu levava pelas mal criações cometidas no
ônibus escolar. As cordas do balanço me impulsionavam automaticamente
para o mundo dos meus sonhos verde-folha, meu analgésico para a tristeza. Eu
imaginava a minha independência aos 18 anos, não apanharia mais.
Durante
o almoço o cheiro se modificava. A casa
tinha um cheiro agridoce-remoso que fazia a minha barriga reclamar de fome. O
odor característico de Taguatinga dos anos 80 – perfume de pequi. Eu já poderia
imaginar as possibilidades do almoço – galinhada com pequi, frango ao molho com
quiabo e pequi ou apenas o pequi no arroz acompanhado de feijão, abóbora e
costelinha de porco frita – o meu favorito. À mesa posta, almoçávamos
contentes. O pequi para mim funcionava como um lullaby repentista para a minha
soneca da tarde. Sonhava em ter 18 anos dançando valsa em um vestido dourado
acompanhada do Super Mouse, meu crush na época.
As
primeiras cores da noite naquela casa tinham cheiro de suor. A QNE 18 toda me
reconhecia com a minha Caloi de cestinha adornadas com um buquê de rosas falsas
e folhas da ateira durante os passeios até o poente. As noites eram especiais,
dava voltas me exibindo para o pé de pinha, uma dança que fazia suar a cada
arrancada com a bicicleta. A mente voava alto com os devaneios azul celeste do
terno do meu namorado imaginário, tão elegante e alto. Eu já tinha 18 anos,
poderia abraçá-lo e dançar à vontade. O meu sonho só era interrompido pelo som
das palavras de Cleuza que me chamava para tomar banho e jantar. Eu ouvia a
janta de longe, era o som da panela de pressão que me fazia apressar correndo
para dentro da casa toda suada.
quinta-feira, 16 de maio de 2019
Soul EducaDOR
Conhecimento cru lapidado da dor
Fui batizada na batalha com as palavras,
Nomeada cavaleira errante entre classes
Recebi esta minha armadura quixotesca
Erguendo em punho um pincel com palavras
Entoando um hino de amor à sabedoria
Não fujo à luta, fui forjada no calor do embate
A guerra não é contra as almas que acalento
Luto contra os gigantes que açoitam minhas crianças de
Maioria negra, tratadas como minoria inferior.
Elas olham através de mim e eu empunho a voz
Entoando um brado de valentia e esperança
Os gigantes de olhos ocos hão de cair frente à onda de cavaleiros,
Blindados com o véu da honestidade das almas confiadas a nós
Assim o rio com a fórmula da água se transformará em
Mar revolto de multidão, guerreiros urrarão um ataque torrencial
Colocaremos os vilões em seus devidos lugares:
Moinhos de vento diante do Tsunami da Educação
Arte: @xjoaoastroboyx
sexta-feira, 18 de janeiro de 2019
The love of Filira and Chronos
I am the excess in feeling and depth
My waters move beyond what is necessary But my sorrows are absolute, a swamp Of apparent stillness, gloomy melancholy diluted in solitude I am the exaggeration, love lullabies, thunderstorms of fury Lightning of feelings in the eye of the hurricane The waves of any violent tsunami are my own Obscene radiograph of my own volatile personality I am the intensity, light-scandalous, dark-lucid My structure - antagonistic - does not fit into satellites, rings My planetary psyche, dichotomies of Mars and Pluto War relieves me, morbidity makes me ludicrousness I am the too much, of dreams - raw and reality - voluble - Drown myself into my own overflowing liquidity I suffer from vomiting of sensations, erotic involvement I breathe the carbon dioxide of the imaginary surface of your being I am the exacerbation, the antagonistic sensuality of this melancholy Unstable yttrium, flammable in its gaseous atmosphere I contour myself with my hairy threads in fine scratches, his arms I break, making room for me to shrink in your rib cage I am the anxiety, the tender meat steaming with spices Pepper, nutmeg, salt, cumin, rosemary and cinnamon A dark cauldron on the coals, cracking the wood of affliction Bubbling of tasty lust, faint of aphrodisia I am the extreme, the intemperance of desires, passionate gluttony My unruly, chaotic soul is silent on fibromyalgic pain I once contorted in resistance against his typed letters I despair to restrain myself in front of your musical accent But I surrender myself, for I am exorbitant, restless voracity Intangible in the light of reason, hungry for feelings I now contort myself within reach of the outline of your lips And ethereal charcoal in the phallic lines to faint: in ashes of memories
My waters move beyond what is necessary But my sorrows are absolute, a swamp Of apparent stillness, gloomy melancholy diluted in solitude I am the exaggeration, love lullabies, thunderstorms of fury Lightning of feelings in the eye of the hurricane The waves of any violent tsunami are my own Obscene radiograph of my own volatile personality I am the intensity, light-scandalous, dark-lucid My structure - antagonistic - does not fit into satellites, rings My planetary psyche, dichotomies of Mars and Pluto War relieves me, morbidity makes me ludicrousness I am the too much, of dreams - raw and reality - voluble - Drown myself into my own overflowing liquidity I suffer from vomiting of sensations, erotic involvement I breathe the carbon dioxide of the imaginary surface of your being I am the exacerbation, the antagonistic sensuality of this melancholy Unstable yttrium, flammable in its gaseous atmosphere I contour myself with my hairy threads in fine scratches, his arms I break, making room for me to shrink in your rib cage I am the anxiety, the tender meat steaming with spices Pepper, nutmeg, salt, cumin, rosemary and cinnamon A dark cauldron on the coals, cracking the wood of affliction Bubbling of tasty lust, faint of aphrodisia I am the extreme, the intemperance of desires, passionate gluttony My unruly, chaotic soul is silent on fibromyalgic pain I once contorted in resistance against his typed letters I despair to restrain myself in front of your musical accent But I surrender myself, for I am exorbitant, restless voracity Intangible in the light of reason, hungry for feelings I now contort myself within reach of the outline of your lips And ethereal charcoal in the phallic lines to faint: in ashes of memories
segunda-feira, 29 de outubro de 2018
Luto pra mim é verbo
LUTO PRA MIM É VERBO
Eu, nascida sob o signo da luta Regida pela lua da contestação Rasgo as linhas do meu ventre Para escorrer a tinta visceral Que assina essa Constituição - Declaro promulgada a RESISTÊNCIA FEDERAL O documento da liberdade, da dignidade Da democracia e da justiça social do Brasil! Que a Deusa nos ajude que isso se vingue!
Eu, nascida sob o signo da luta Regida pela lua da contestação Rasgo as linhas do meu ventre Para escorrer a tinta visceral Que assina essa Constituição - Declaro promulgada a RESISTÊNCIA FEDERAL O documento da liberdade, da dignidade Da democracia e da justiça social do Brasil! Que a Deusa nos ajude que isso se vingue!
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