Powered By Blogger

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Luto pra mim é verbo

LUTO PRA MIM É VERBO

Eu, nascida sob o signo da luta Regida pela lua da contestação Rasgo as linhas do meu ventre Para escorrer a tinta visceral Que assina essa Constituição - Declaro promulgada a RESISTÊNCIA FEDERAL O documento da liberdade, da dignidade Da democracia e da justiça social do Brasil! Que a Deusa nos ajude que isso se vingue!

sábado, 15 de setembro de 2018

O Amor de Filira e Cronos


Eu sou o excesso, em sentimento e profundidade
As minhas águas se movimentam além do necessário
Mas as minhas tristezas são absolutas, um pântano
De aparente quietude, melancolia tenebrosa diluída em solidão


Eu sou o exagero, lullabies de amor, trovoadas de fúria 
Relâmpagos de sentimentos no olho do furacão
As ondas de qualquer maremoto violento são de minha autoria
Radiografia obcena da minha própria personalidade volátil


Eu sou a intensidade, claro – escandaloso, escuro – lúcido
A minha estrutura – antagônica - não cabe em satélites, em anéis
Minha psiquê planetária, dicotomias de Marte e Plutão
A guerra me alivia, a morbidez me lucidesse


Eu sou a demasia, de sonhos – crus- e realidade – volúveis-
Afogo-me dentro da minha própria liquidez transbordante
Sufoco-me com vômitos de sensações, envolvimento erótico
Respiro o dióxido de carbono da superfície imaginária do seu ser


Eu sou o exacerbo, a sensualidade antagônica dessa melancolia
O ítrio instável, inflamável na sua atmosfera gasosa
Contorno-me com meus fios rubros nos riscos finos, seus braços
Arrombo, abrindo espaço para me encolher na sua caixa torácica


Eu sou a sofreguidão, a carne tenra fumegando com temperos
Pimenta, noz moscada, sal, cominho, alecrim e canela
Um caldeirão escuro na brasa, estalando a madeira de aflição
Borbulhando de saborosa volúpia, lânguida de afrodisia


Eu sou o extremo, a intemperança de desejos, glutonaria apaixonada
Minha alma desregrada, caótica se silencia em dor fibromiálgica
Contorciono-me outrora em resistência contra as suas letras digitadas
Me desespero para conter-me diante do seu sotaque musicado


Mas entrego-me, pois sou a exorbitância, voracidade inquieta
Intangível à luz da razão, faminta de sentimentos
Contorciono-me agora ao alcance do contorno volumoso dos seus lábios
E carbonizo etérea nas linhas fálicas para desfalecer: em cinzas de lembranças



quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Madame Bovary


Madame Bovary, a minha literalidade desentendeu-se
No oceano metafórico do teu ser
Onírico complacente que Fellini filmaria
Onírico fantasiado por linhas divertidas de Gabo

Madame Bovary, não sei mais somar o óbvio
E nesse cálculo não sei nem mais o que sou
Minhas mãos, outrora tão grandes, tornaram-se areia,
 Dissolvidas pela liquidez da tua ânsia volátil

Madame Bovary, na clandestinidade escandalosa daquela tarde
Minhas pernas ataram a explosão ferina da tua impulsiva imprudência sexual
Meu quadril alinhou-te como um frevo harmonioso
E conduziu-te - ó minha dama – nas notas fervorosas de outro ritmo

Madame Bovary – antes, Morgana das Fadas
Escondida há semanas sob brumas digitais
Codificadas em dualidade – lucidez e libertinagem
Elementos encantados que rabiscam o sagrado feminino do teu ser

Adjetivos e pronomes – todos possessivos e sujeitos
Por todos eles fui invocado por ti, minha Madame Bovary
Declarações em códigos, carícias desconhecidas para mim, tão novo,
Codinomes estrangeiros compartilhados com as confidentes orelhas coloridas nas estantes

Madame Bovary, a minha inabilidade só não era maior
Que as minhas histórias – todas inventadas ou aumentadas
Em solfejo provocador para irritar o seu ego ciumento
Mas que indiretamente atingia a virilidade da minha juventude

Madame Bovary, de sotaque quase inexistente e vaidade notável
Arranha deploravelmente um francês, quase inaudível
Tu poderias ser a minha Capitú, mas não há dúvidas sobre a tua lascívia aqui condenada Nociva ao seio da sociedade, mas que suguei tal qual um poeta do mal do século

Madame Bovary, recobrei o que sou – um ébrio romântico
Alguém que se entorpece de sentimentos em uma tarde
Fingindo indiferença em outras ocasiões
Contemplando dos bastidores as tuas cenas possessivamente enérgicas

Madame Bovary, recobrei que tu significas a insatisfação pela qual Buñuel faria morada Incendiando todas as tuas metáforas na literalidade do amor por um ordinário